Frades Carmelitas

OS CARMELITAS NO BRASIL

Quando o Estado Português começou a conhecer a terra do Brasil, só tinha uma intenção: tirar proveito para si. Acontece que, junto com os homens de Estado, vieram também os homens da Igreja: franciscanos, beneditinos, jesuítas e carmelitas. Estes tinham outra intenção: a de responder aos apelos divinos de pregar o Evangelho por todo o mundo. Mas este Evangelho não permitia a escravidão de índios e africanos, que, de outro lado, era necessário para a produção de açúcar, cacau, algodão e tantas outras coisas, em beneficio do Estado Português. Assim, o Evangelho e o Estado Colonial entraram em conflito desde o início, quando vieram os quatro primeiros Carmelitas na armada do Capitão Frutuoso Barbosa, em 1580.

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Conselho da Provincia Carmelita de Santo Elias: Provincial: Frei Geraldo D´Abadia 1º Conselheiro: Frei Rothmans Dales de Campos, 2º Conselheiro: Frei Marcelo Frezarini ,3º Conselheiro: Frei Evaldo Xavier Gomes, 4º Conselheiro: Frei Carlos Mesters

Barbosa veio, por ordem do Rei, conquistar a Paraíba para a Coroa Portuguesa, e os Carmelitas vieram com ele; sim, porque não tinham navios nem dinheiro suficiente para vir por conta da Ordem; contudo não vieram fazer o mesmo que o Capitão: eles não podiam suportar uma série de absurdos que os colonizadores fizeram aqui para dominar a terra.

Ficaram assim “entre a cruz e a espada”, entre a Cruz de Cristo que nos ensina a respeitar todos os homens, inclusive indígenas e africanos e a nunca privá-los de sua liberdade, e, do outro lado, a espada dos cruéis guerreiros que vieram aqui combater os indígenas e transformá-los em escravos.

Durante todo o tempo em que os portugueses foram donos do Brasil, de 1500 a 1800, os Carmelitas ficaram assim divididos e inseguros. De um lado, ouviam o clamor dos índios e africanos escravizados; por outro, eles também eram portugueses, imbuídos da mentalidade colonialista. Três anos depois de sua chegada, em 1583, os Carmelitas começaram a construir seu convento de Olinda e isto com a ajuda do Estado colonial português. A partir de Olinda começou a irradiação da Ordem no Brasil: Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro, Bahia, Santos, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. Quando o Estado Português fundou mais uma colônia na América, em 1615, chamada Maranhão, os Carmelitas foram os primeiros a construir o Convento na cidade de São Luiz, depois em Belém do Pará e daí se irradiaram no imenso Vale Amazônico. Sobretudo no atual Estado de Amazonas tiveram atuação importante nos primeiros cinquenta anos do século XVIII na famosa redução (uma espécie de território só dos índios) dos indígenas do Rio Negro, que eram unidos e reagiram fortemente contra os invasores. No Rio Negro, sobretudo, mas também nos Rios Solimões, Madeira e Tietê, os Carmelitas chegaram a fundar mais de quarenta missões que fizeram recuar as fronteiras do império espanhol na Amazônia e avançar as fronteiras portuguesas na região. A Missão Carmelita de São Paulo de Olivenças foi, por muito tempo, considerada como fronteira entre Espanha e Portugal! Assim, os Carmelitas foram em tudo beneficiados e respeitados pelo estado colonial, mais do que os Jesuítas.

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Mesmo nesta triste situação em que o trabalho da Igreja e da Ordem dos Carmelitas era quase o mesmo do Estado português opressor, o clamor dos fracos e oprimidos foi ouvido pelos missionários. Conhecemos alguma coisa da vida excepcional de Frei José Alves da Chagas, que começou sua missão numa fazenda, hoje a cidade de Parintins, na fronteira entre os atuais Estados do Pará e do Amazonas. Ele entrou em desentendimento com os fazendeiros por defender os indígenas e começou a missionar entre os Munduruçus, na margem direita do Rio Madeira. Dedicou toda sua vida a estes indígenas perseguidos, pois os colonizadores quiseram se apoderar deste rio para fazer comércio com a Amazônia e Mato Grosso e o Sul. O povo da região venerou a memória deste excelente missionário Carmelita até os fins do século XIX. Depois, com a decadência da Ordem na região, a memória dele perdeu-se. Os Carmelitas, sendo quase exclusivamente portugueses, saíram em grande número, após a independência de 1822. Em 1866 só existiam seis Carmelitas nos Estados do Maranhão, Pará e Amazonas e em 1891, morreu o último Carmelita desta Província, com a idade de 80 anos.

Os brasileiros, muito mais sensíveis aos problemas de sua terra do que os portugueses, deram nova vida à Ordem Carmelitana no século XIX, como prova a vida de Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo (Frei Caneca), do Convento do Carmo de Recife.

A figura deste Carmelita vai exercer um papel muito importante nesta época. Começa no século XIX, quando apareciam novas esperanças de uma vida melhor e mais livre para todos os brasileiros, que até então viviam sob o jugo opressor do poder colonial. Quem mais sofria era a população pobre formada pelos negros, índios e mulatos, que era a imensa massa dos trabalhadores dos engenhos e das grandes fazendas. Um pequeno número de ricos às custas da imensa maioria empobrecida. Frei Caneca viu esta situação de opressão e sabia que isto não podia continuar: o Brasil devia ser de todos os brasileiros; com sua independência tinha apenas mudado de dono: antes era Portugal e agora, a Inglaterra. Os pobres continuavam na mesma situação. A força do trabalho do negro e do mulato não estava produzindo riquezas para o Brasil, mas enriquecendo mais a Inglaterra que naquele momento era o grande senhor dominador dos povos pobres. A Igreja começa a se sensibilizar por esta situação triste, mas não era toda a Igreja. Um grupo de padres do Seminário de Olinda, e entre estes estava o Frei Caneca e mais alguns frades do convento de Recife decidiram participar efetivamente da revolução de 1817, que foi chamada a “Revolução do Padre”.

Vieram os grandes que destruíram tudo o que estes homens corajosos tinham planejado. Frei Caneca foi preso e muitos foram mortos, mas ele tirou disto tudo uma lição que era preciso fazer algo, mas não só para o pobre, mas também para todos os povos oprimidos. Começou a olhar mais para o lado do pequeno e viu que havia muito que aprender.

Foi neste tempo que surgiu a ideia de “Confederação do Equador”, que seria uma República de pretos, mulatos e mestiços. Frei Caneca foi buscar esta ideia de um mulato, Pedro Pedroso, que morava em Recife, e representava o projeto dos pequenos e sofridos. A grandeza deste Carmelita é que ele entendeu que não era o projeto que ele tinha levado adiante. Aconteceu a Revolução, com a participação do povo e foi implantada a República como eles tinham pensado. Novamente vieram os grandes, mais fortes em armas, abafaram tudo e destruíram o que eles tinham realizado. Frei Caneca foi assassinado no dia 13 de janeiro de 1885. Foi morto este grande Carmelita, mas suas ideias não morreram. A aspiração de liberdade e igualdade que nasce no meio dos pequenos e oprimidos, nunca será destruída pela força opressora, pois ela é um dom de Deus que brota todas as vezes que lutamos por ela.

Quando se diz “Carmelitas”, não se deve pensar só nos frades Carmelitas, mas também nas irmãs que vivem nos trinta e tantos mosteiros do Brasil, nos irmãos e irmãs das Ordens Terceiras, que são tantas, nas irmãs das congregações religiosas, fundadas em honra de Nossa Senhora do Carmo, nos membros das Confrarias dos Escapulário do Carmo, nos devotos que frequentam as inúmeras Igrejas e paróquias do Carmo no Brasil. A família Carmelitana é imensa. É útil e bom que ela pare, de vez em quando, para meditar sobre a mensagem que o Profeta Elias tem para ela, hoje em dia aqui no Brasil.

Elias foi o maior Profeta do Antigo Testamento; na Palestina, a terra de Jesus. Ele é até hoje o santo mais popular. Na sua vida há quatro pontos que chamaram a atenção dos Carmelitas, desde o começo, e que hoje devem merecer a nossa atenção.

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